A história de Armação dos Búzios, ou Somente Búzios como foi apelidada, está recheada de muito conhecimento. Enriquecida por diversos povos e culturas, indígenas, quilombolas, portugueses, franceses e até argentinos. Sendo parte importante da história do estado do Rio de Janeiro e do Brasil .

Palco de guerras por disputa de território onde tribos indígenas foram dizimadas para que Portugueses rechaçarem seus rivais Franceses.

Em Búzios existiram até piratas e corsários, que tinham como alvo as expedições que vinham de longas viagens e também traficavam Pau-Brasil. Escravos também eram traficados por suas praias e até quilombos existiram na região.

A local também foi importante ponto estratégico para caça baleeira, derivando daí o atual nome da cidade.

Búzios prosperou como uma pacata vila de pescadores até a primeira metade do século 20. Quando em 1964 a cidade recebeu a visita de uma das mais importantes personalidades mundiais da época, a atriz Brigitte Bardot, dando ao local fama internacional.

Mas a cidade passou a se desenvolver realmente como polo turístico no final dos anos 1970. Quando muitos Argentinos chegaram a Búzios com bastante dinheiro fugindo da crise econômica de seu país.

Como polo turístico, sendo o balneário mais famoso do estado, Búzios passou a crescer cada vez mais até conseguir sua emancipação em 1995. Hoje a cidade é rota de inúmeros transatlânticos, recebe milhares de turistas de todas as partes do mundo e oferece todo tipo de divertimento. Um desfecho grandioso para a humilde vila de pescadores.

História de Armação dos Búzios antes da chegada dos Portugueses

 

Antes dos portugueses aportarem nestas terras a península já era habitada por índios da tribo dos Tupinambás vulgarmente chamados de Tamoios. Os povos indígenas  habitavam grande parte da costa brasileira, da margem direita do rio São Francisco até o recôncavo Baiano e do cabo de São Tomé atual Rio de Janeiro até são Sebastião, atual São Paulo.

O pesquisador Teodoro Sampaio afirma que o termo Tupinambá é oriundo do tupi tubüb-abá , que significa descendente dos primeiros pais. Já o termo Tamoio vem de ta ‘möi, que significa avós, indicando que eles eram o grupo Tupi mais antigo instalado no litoral brasileiro. Acredita que no total somavam cerca de 70000 indivíduos.

Os portugueses Chegam à Costa

Entre 1501 e 1502 ocorria a primeira expedição naval portuguesa de reconhecimento no litoral Brasileiro. O sertão de Cabo Frio localidade onde hoje fica Búzios e arredores foi nomeada de “ Bahia fremosa”(Bahia formosa).  Américo Vespúcio aporta em Búzios e comanda a primeira expedição ao litoral brasileiro conhecida como¨Entradas¨. Desembarcando na Praia das Caravelas onde permaneceram por três anos ancorados, usando a praia como porto nas incursões. Com dificuldades fundaram postos avançados, proteção que precisavam para explorar as terras e formar cidades. Chamadas

“Armações” (acampamentos ou postos avançados, erguidos com a função de capturar índios para o trabalho escravo, de armazenar pau-brasil e de consertar e reformar embarcações).

Em 1532 chega a primeira expedição de caráter colonizador com Martim Afonso de Souza.

Nos anos de ocupação notaram-se que na região ocorriam muitos moluscos gastrópodes cujas carapaças vazias eram chamadas de “atapu” pelos índios, e batizadas de búzios pelos portugueses”. Conta-se então que devido a este fato o local começou a ser chamado de Ponta dos Búzios. Alguns documentos históricos ainda mostram outro nome “S. Anna da Armação”, mas sem datação histórica correlatada.

Guerras com índios e franceses

Com as armações e o armazém fortificado de Cabo Frio estabelecidos começaram a surgir desavenças entre portugueses e índios. Em 1555, por não aceitar o tratado de Tordesilhas entre Portugal e Espanha, a França invade o território brasileiro e funda na Baía da Guanabara a França Antártica.

Sua intenção era troca de objetos sem muito valor, de maneira amistosa, conquistando a confiança dos donos das terras.

A estratégia teve um sucesso tão grande que iludiu nossos índios. Os mesmos fundaram com apoio logístico francês uma confederação contra os portugueses que se chamava, Confederação dos Tamoios. Esta grande demonstração de força indígena expandiu-se em todo litoral e uniu três poderosas nações, Tupinambás, Tamoios e Aimorés.

Os corsários foram derrotados por Mem de Sá , então governador geral do Brasil, e Estácio de Sá ,seu sobrinho. A vitória que decorreu a fundação do estado do Rio de Janeiro por Estácio de Sá no ano de 1567.

Tendo a confederação dos Tamoios como aliada e bem armada, os franceses constroem um forte que resiste durante dez anos às investidas portuguesas.

A região ainda era visitada por corsários que negociavam com os índios Tupinambás, principalmente Pau Brasil. Os corsários só foram derrotados definitivamente pelos portugueses por volta de 1618 com a ajuda dos índios Goytacazes. Um verdadeiro banho de sangue que dos povos indígenas que se aliaram aos franceses.

Nos anos que se prosseguiram a escravização de índios era comum e foi ferrenhamente combatida pelos jesuítas.

Brás de Pina constrói em 1743 a 1ª igreja católica em Búzios. A partir de então se tornando distrito da cidade de cabo frio e devido a necessidade do desenvolvimento da caça às baleias para o aproveitamento do óleo na iluminação pública e na construção civil, ele recebe em 1746 o direito legal de explorar a caça da baleia no Brasil, fato que teria dado origem ao nome da praia dos Ossos.

Em 1759, Marquês do Pombal expulsa os jesuítas do território português pela oposição ferrenha ao escravismo. A fazenda Santo Inácio dos Campos Novos é vendida para grandes fazendeiros.

Entre 1750 e 1870 inicia-se a colonização definitiva, com interesses no desenvolvimento da agricultura e da pesca, utilizando-se da mão de obra escrava.

Tráfico de escravos e Quilombos

Em 1660, a Câmara de Cabo Frio incentivou a compra de escravos africanos. Precisava-se de mão de obra para trabalhar na recém liberada comercialização de sal natural na lagoa de Araruama. Com a usurpação do domínio da Câmara Municipal de cabo frio pelas autoridades coloniais, a arregimentação de mão de obra africana passou a se dar em maior quantidade e frequência.

As praias Rasa e José Gonçalves foram usadas como pontos de desembarque clandestino do tráfico negreiro africano. Depois que as autoridades imperiais proibiram esse comércio infame no território brasileiro, Alguns navios da marinha de guerra nacional passaram então a cruzar o litoral fluminense à procura não só dos “tumbeiros”, mas, também, de traficantes de pau-brasil, embora sem qualquer resultado. As autoridades judiciais e policiais de Cabo Frio apenas se movimentavam quando o desembarque de africanos acontecia em praias próximas à sede municipal e o assunto virava escândalo público. A repressão eficaz e ilegal ficou por conta das embarcações inglesas de guerra, em obediência às ordens e aos interesses econômicos britânicos, que aprisionavam tanto veleiros portugueses quanto brasileiros no litoral da região, com os porões cheios de africanos escravizados. Chegaram até a desembarcar tropas no porto de Búzios, apesar de ficarem surpresos com as idéias contrárias ao cativeiro dos negros.

Os padrões sócio-econômicos tradicionais continuaram a ser rompidos com a entrada cm vigor das leis do “ventre livre” e dos “sexagenários” que jogaram a pá de cal na atividade agrícola remanescente e causaram efervescência nas derradeiras senzalas da região.Os outros negros que vinham refugiados do interior do estado, do plantio da cana, estabeleciam-se entre a Fazendinha (José Gonçalves) e a Rasa, formando um Quilombo. Pouco depois da assinatura da chamada “Lei Áurea”, escravos fugitivos ou ex-escravos libertos ocuparam e tomaram posse irregular de áreas junto às praias Rasa e José Gonçalves.

Caça Baleeira em Armação dos Búzios

A caça a baleeira, do século 17 até metade do século 19, era muito importante econômica e estruturalmente. O óleo de baleia era usado para muitas finalidades. Podia ser usado para misturar com cal produzindo uma forte argamassa e nas lamparinas para iluminação.

E as baleias eram abundantes, principalmente na Baía de Guanabara e litorais próximos. Mas por ser uma região muito visada elas acabaram deixando aquelas águas, sendo mais comumente encontradas na região costeira de Búzios. Até uma armação de madeira foi construída em uma praia, derivando daí o nome Armação de Búzios. Para essa armação de madeira eram trazidas as baleiras arpoadas. Lá extraiam o óleo, chegando a 33 metros cúbicos para cada baleia cachalote. Sua carne também aproveitada e por fim seus osso eram jogados na praia ao lado, Marimbondo, atual praia dos ossos derivado deste fato.

O comércio do óleo de baleia foi essencial para o desenvolvimento da cidade. Até mesmo a cidade do Rio de Janeiro dependia do material que vinha de Búzios, já que as baleias começaram a ficar longe das águas da guanabara devido ao grande aumento de caça. A caça aumentou tanto devido ao surgimento dos navios a vapor, que intensificaram a caça e por parte também da maior exploração das caça no hemisfério norte.

Na segunda metade do século 19 deixaram de aparecer baleias nessas águas findando a indústria de produção de óleo. A partir deste momento a população de Armação dos Búzios começou a viver da pesca.

Uma curiosidade é que não somente Armação dos Búzios deve seu nome derivado da caça à baleia. Outro ponto turístico importante também tem seu nome derivado do ato da caça, a famosa Pedra do Arpoador. Essa pequenina península na zona sul do Rio de Janeiro situada entre Ipanema e Copacabana, era considerada um ponto de onde seria possível arpoar as baleias.

O começo do turismo

Armação dos Búzios seguiu como uma vila de pescadores. A arquitetura simples adaptava-se às condições climáticas, aos ventos dominantes e à ambientação do entorno.

Em 1927, o neto do proprietário da fazenda Campos Novos tornou-se o primeiro dono de casa de veraneio na praia da Armação e assim é considerado o turista inicial de Búzios.  Por anos a vida foi pacata até a passagem do dirigível alemão Zepelim sobre a ponta dos Búzios e ficando assustados com a chegada da 2ª Guerra Mundial o Brasil – país até então neutro.

Em 1939, um cargueiro foi incendiado e afundado pelos próprios tripulantes ou pelos tiros de canhão de um navio de guerra inglês junto ao litoral de Búzios, depois de receber e não atender a intimação para vistoria. O temor dos moradores foi substituído pela alegria de apanhar dezenas de latas intactas de banha pertencentes à carga que foram dar nas praias de Búzios.Porém, o medo da presença de submarinos italianos e alemães próximos da costa, além da possibilidade de desembarques inimigos em praias ermas, prevaleceram e duraram enquanto a guerra não chegou ao fim, principalmente, depois que uma dessas embarcações subiu à tona perto da ilha Âncora e abordou um bote de pesca para tentar se abastecer de alimentos frescos. O fato foi comunicado à Capitania dos Portos de Cabo Frio pelos tripulantes que, depois, receberam condecorações de guerra da Marinha do Brasil.

Antes do conflito mundial terminar, a população foi beneficiada pela implantação da linha de ônibus Cabo Frio – Armação dos Búzios. Pertencente à Viação Salineira cujos trajetos e horários ainda hoje encontram-se em expansão. que facilitou o acesso tanto aos serviços módicos e educacionais quanto ao comércio, ao lazer a às repartições públicas federais, estaduais e municipais da Cidade de Cabo Frio. Em 1951, quando a sede do município se inicia na atividade turística, o presidente da empresa aérea Cruzeiro do Sul construiu uma casa de veraneio na praia de Manguinhos, atraído pela possibilidade da prática de pesca submarina nessas águas férteis e pela magia da natureza local quase intocada.

Envolveu-se de tal forma com a comunidade que reconstruiu a estrada Rasa-Armação, para facilitar o escoamento do pescado daquela localidade. Reconstruiu, também, o grupo escolar de Manguinhos, além de patrocinar as obras da igreja de Santa Rita de Cássia e do cais de proteção à colina da igreja de Santana.

O benfeitor foi nomeado administrador honorário do 3º distrito e seu entusiasmo contagiante atraiu turistas para Armação dos Búzios.

O turismo ainda incipiente logo recebeu projeção nacional e internacional durante a estadia de uma das mais importantes personalidades mundiais da época, a atriz Brigitte Bardot, dando ao local fama internacional. O turismo começou a se consolidar após a inauguração da ponte Rio – Niterói em 1974 e com a “invasão Argentina” no final dos anos 70. Muitos argentinos abastados vieram para cidade fugindo da crise econômica de seu país natal. Comprando propriedades e estabeleceram residências e negócios. Com a crise dos anos 1990, reduziu-se o fluxo de turistas da Argentina. Mas, até hoje, uma fração significativa do comércio e da hotelaria está nas mãos de argentinos, que são também figuras comuns na cidade como turistas.

A emancipação de Armação dos Búzios

A circulação de riqueza impulsionada pelo turismo formou uma ativa classe média no 3º distrito. Dando oportunidade ao aparecimento de meios locais de comunicação de massa, até mesmo uma rádio e uma televisão, embora apenas tenham permanecido alguns jornais em circulação, entre eles, o pioneiro “Peru Molhado”, que ajudaram a desenvolver o sentimento nativista da população. Os moradores locais, os proprietários influentes de segunda residência (veraneio) e os donos de grandes extensões de terra em Armação dos Búzios tornaram-se cada vez mais insatisfeitos com o tratamento político injusto e depreciativo que recebiam do poder executivo e legislativo de Cabo Frio.

A falta de repasse em obras públicas da correspondente parcela sobre os “royalties” de petróleo e gás, cuja exploração se intensificava na plataforma submarina fronteira do distrito. Mas, a gota d’água foi fruto de duas lamentáveis administrações municipais que ocorreram nos períodos 1983-1988 e 1989-1992. A emancipação do Arraial do Cabo, antigo 4º distrito, na década de 80,  inspirou o povo do 3º distrito. Tirando partido da colaboração do prefeito municipal (1993-1996) e do governador estadual (1995-1998) para libertar Armação dos Búzios de Cabo Frio.

O movimento emancipacionista iniciado no fim da década de 80, a posterior criação do novo município em 1995 e a subseqüente eleição para prefeito e vereadores em 1996 são as páginas históricas mais brilhantes escritas pelo povo de Armação dos Búzios. Embora trate-se apenas de importante capítulo modificador da estrutura política-administrativa e só potencialmente transformador da estrutura sócio-econômica. Contudo, é imensa a possibilidade de um futuro imediato mais promissor. Bastando que as autoridades municipais atendam os anseios populares a favor do desenvolvimento econômico auto-sustentável de Armação dos Búzios.

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