Mas afinal quem foram João Fernandes e José Gonçalves?

Atendendo a pedidos montamos uma matéria explicando direitinho quem foram essas duas personalidades que dão nome a três praias em nossa amada cidade.

João Fernandes

Existem duas interpretações que quem teria sido João Fernandes a primeira é que segundo informações João Fernandes foi julgado um “criminoso” em seu tempo. Tudo isso por que no ano de 1617 os portugueses aliados juntamente com os índios goitacazes expulsaram em definitivo os franceses da região onde hoje é a cidade de Armação dos Búzios. Na mesma época eles também exterminaram toda a população de tupinambás do local. Com isso tudo acontecendo os portugueses proibiram a pesca em todo o litoral entre Maricá e Campos, para que deste modo a região não pudesse se sustentar de forma independente.

João Fernandes foi condenado em 1679 a morrer no tronco por ter desobedecido a proibição da pesca na região.          

Já a segunda foi que o nome em homenagem a essas duas praias teria vindo de um navegador português que esteve em nosso litoral pouco tempo depois do Descobrimento do Brasil.

A questão é que talvez nunca vamos ter certeza de para quem foi a homenagem apenas e independente de qual foi o João é que essas duas praias são incrivelmente lindas.

José Gonçalves

A história dessa personalidade é um pouco mais delicada por assim dizer. Segundo alguns livros e historiadores José Gonçalves teria sido acusado de tráfico de escravo, e por isso teria sido preso e depois absolvido.

Quando ele desembarcou em terras tupiniquins em 1813 com cerca de 12 anos de idade. José Gonçalves fazia parte de uma geração de meninos portugueses que vinham tentar a sorte no Rio de Janeiro, que naquele momento da história era sede da monarquia desde 1808. O jovem começou sua vida laboral como caixeiro e em 1839 já havia construído fortuna. José Gonçalves atuava na região onde é a cidade de Cabo Frio/RJ e estava “cuidando de seus interesses e do seu sogro João Moreira”. Foi quando se sentiu ameaçado por ter que trabalhar cobrando altas quantias, solicitou proteção ao chefe de polícia da cidade. A presença de José Gonçalves em Cabo Frio no período em que o tráfico de escravos era “comum” acabou que por influências ele migrou de área de atuação por assim dizer. Com o tempo o tráfico de escravos se tornou ilegal graças a “lei Feijó-Barbacena” que proibia a entrada de escravos africanos nos portos.

Com o passar do tempo José Gonçalves se tornou uma grande negociante conhecido e poderoso na região. Ele possuía um armazém na Boca da Barra, próximo a Fortaleza de São Matheus em Cabo Frio/RJ além de também possuir uma fazenda na Baia Formosa entre outras posses. Em 1847 quando Dom Pedro II esteve na cidade de Cabo Frio/RJ José Gonçalves emprestou dinheiro e cedeu alguns imóveis para a recepção do imperador além de destacar empregados para estarem à disposição.

José Gonçalves contava com uma ótima organização para realizar o trabalho de tráfico clandestino de negros ele contava com alguns armazéns, e pontos de embarque clandestino na Bahia Formosa e na Ponta das Emerências. Ele não trabalhava sozinho e contava com seu sócio o comendador José Antônio dos Guimarães, que na época ocupou o cargo de juiz de paz e presidente da Câmara de Cabo Frio. Os dois eram proprietários de várias terras fato que tornava mais fácil o desembarque e transporte dos negros até os pontos de revenda sem maiores preocupações ou transtornos.

Já no ano de 1850 o governo da época adotou uma política mais severa em relação ao tráfico de africanos e com isso aprovou a chamada lei Eusébio de Queirós. Em 20 de janeiro de 1851, a força policial invadiu as terras de José Gonçalves a operação policial teria sido ordenada pelo próprio Eusébio de Queirós, que na época era ministro e secretário de Estado dos Negócios da Justiça. Nesse momento as propriedades foram arrombadas, saqueadas e todos os seus bens foram confiscados.

José Gonçalves quase não escapou da prisão, ele apresentou duas versões em juízo do que teria acontecido. A primeira foi que ele teria saído de Cabo Frio em 11 de janeiro de 1851 fato que foi comprovado pelo jornal Correio Mercantil, em “Movimento dos Portos”. E a segunda foi ele estaria em Cabo Frio e fugiu por terra até a Praia Grande em Niterói/RJ. Ambos os depoimentos levam a crer que graças a suas grandes ligações com as autoridades ele sabia que algo estava por vir e por isso saiu da região. José Gonçalves saiu de Cabo Frio no Macaence, mas no dia 20 de janeiro ele já estava de volta escapando do cerco policial e se escondendo em um sítio na Tijuca, local onde ficou por cerca de 3 anos e segundo informações tal estadia teria custado 7 contos e 200 mil réis.

As buscas ao traficante continuaram e um ano mais tarde sua chácara foi cercada pela polícia e segundo ele tal fato teria posto sua esposa e filhos em desespero, mas não foi dessa vez que o José Gonçalves foi capturado.

Um tempo depois, José Gonçalves se apresentou a justiça juntamente com seu advogado e logo em seguida ele foi preso, mas deu uma “gratificação” de 600 mil réis ao carcereiro para não ser colocado em “ferros”. Após ser absolvido do processo judicial José Gonçalves intensificou sua campanha contra a “injustiça sofrida”. Segundo ele, ele não traficava mais escravos após a lei de proibição em 1850. Ele dizia que: “O Sr. Eusébio sabe que esse meu sócio sempre teve esse gênero de negócio (importação de africanos); e que foi a razão que o não fez responder a igual processo ao meu? Ele era meu sócio, e se eu traficava em negros, aquele Guimarães igualmente traficava, e se Guimarães não era criminoso por isso, também eu não, porque negociávamos ambos. Que moralidade! Que justiça! Que país! Contra mim havia provas e contra meu sócio não”, escreveu em 1863.

Passados mais de 160 anos o nome dessa personalidade ainda é bastante lembrado pelos descendentes dos escravos de Cabo Frio e Búzios.

Bom e essa foi parte da história da nossa cidade. Fique ligado que sempre vamos publicar curiosidades e notícias sobre nossa Búzios. Até a próxima!

Fontes:

buzios-explorer.com

 GOMES, Flávio. Histórias de quilombolas: mocambos e comunidades de senzalas no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995.
MATTOS, Hebe & RIOS, Ana. Memórias do Cativeiro – Trabalho, Identidade e Cidadania na Pós-Abolição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
RODRIGUES, Jaime. O Infame Comércio: propostas e experiências no tráfico de africanos para o Brasil (1800-1850). Campinas: Editora da Unicamp/ Cecult, 2000.

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