Histórias de naufrágios sempre costumam ser bem interessantes. Desde a filmagem de Titanic em 1997 essas histórias se tornaram bastante populares e caíram no imaginário do povo. Mas como quase todo acidente não há tanto glamour como no filme.

Começando pelo desastre do Titanic que vitimou cerca de 1500 pessoas, 6 cães,1 gata, galinhas e ratos.

A verdade é que sempre vemos pessoas buscando passeios e mergulhos para esses locais misteriosos e tristemente bonitos até pela a fauna e flora que se instala nesses locais após a tragédia.

No Brasil

O maior desastre náutico do Brasil foi da embarcação Príncipe de Asturias o naufrágio dele foi em 1916, esse vapor possuía 150 metros de comprimento e registrados oficialmente eram 578 pessoas entre passageiros e tripulantes, mas estima-se que tinham na verdade mais de 800 imigrantes clandestinos que se espremiam nos porões do navio fugindo da Europa que estava em guerra naquele momento.

A fatídica viagem começou em Barcelona e tinha como destino a cidade de Santos em São Paulo. Após a travessia do Atlântico naquela manhã de 06 de março de 1916 chovia forte e a cerração tornava a visibilidade muito ruim. Segundo relatos soprava um vento forte de leste e o mar estava muito agitado e a embarcação chacoalhava bastante. Cegando na madrugada do dia 07 a chuva pirou bastante e a visibilidade era quase nula. Ao se aproximar da Ilha de São Sebastião (Ilhabela) o capitão, José Lotina ordenou diminuição da marcha e mudança do curso em direção ao alto-mar. 

Por volta das 4:20 da manhã a maioria dos passageiros já dormiam, mas no salão do luxuoso navio ainda acontecia um baile de carnaval quando de repente um relâmpago iluminou a noite escura e revelou a proximidade dos rochedos da Ponta da Pirabura estava do transatlântico.
Segundo o 2º piloto, imediatamente o comandante Lotina gritou: “É terra!”, e jogando-se sobre o telégrafo de máquinas comandou “Máquinas, toda força a ré” ordenando leme todo a boreste. Mas não havia mais tempo para o cumprimento das ordens e o choque foi inevitável.

O navio bateu violentamente na laje submersa da Ponta da Pirabura, abrindo uma enorme fenda no casco. Segundo o relato de alguns sobreviventes com a entrada de água na sala de máquinas, duas das caldeiras explodiram, o que provocou o rápido naufrágio.

O Principe de Asturias desapareceu em menos de cinco minutos, vitimando cerca de 450 pessoas.

Oficiais do navio relataram que na ponte de comando o Capitão José Lotina e seu primeiro oficial Imediato Antônio Salazar Llinas decidiram cometer suicídio, dando um tiro na cabeça; os corpos desses dois oficiais nunca foram encontrados.

Após o acidente

Após o desastre muitos corpos chegaram nas praias da Ilha de São Sebastião e as histórias de horror, heroísmo e roubo dos cadáveres ronda o imaginário da Ilha.

O local ainda hoje apresenta uma grande dificuldade de acesso, imagine em 1916. Devido a essa dificuldade vários corpos foram enterrados na própria praia. E em números oficiais há registro de 445 mortos entre os 578 passageiros e tripulantes. Nunca foi provada a existência de imigrantes ilegais na embarcação.

Em 1989 foi autorizada a salvatagem da embarcação, com isso muitas partes fora dinamitadas e foram retidas ouças, talheres, garrafas e apetrechos de marinharia foram recuperados juntamente com parte da carga de metais que o transatlântico carregava em seus porões.

Dados de naufrágios no Brasil

Atualmente segundo informações da SDM (Serviço de Documentação da Marinha) existem mais de 2000 naufrágios documentados no Brasil. Os acidentes ocorreram no mar, em rios e lagoas do Brasil entre os anos de 1500 e 1950. Para pesquisadores, no entanto, esse número pode ser muito maior. Em entrevista para o G1 o biólogo Maurício Carvalho, diz que desde 1980 prática mergulho e é idealizador do Sistema de Informações de Naufrágio (Sinau), tem em seu banco de dados aproximadamente 2 mil naufrágios apenas na costa brasileira.

Segundo o site naufragiosdobrasil.com.br o estado onde possui a maior quantidade de embarcações afundadas é o Rio Grande do Sul com 286 registros e em seguida o Rio de Janeiro com 274 e na terceira colocação a Bahia com 207 naufrágios registrados.

Na Região dos Lagos

 Já por toda a região dos lagos do Rio de Janeiro existem cerca de 16 naufrágios documentados a maior parte deles estão próximos a cidade de Arraial do Cabo. Foram diversos os motivos desses acidentes desde a encalhes, choques com rochas ou bancos de areia, mau tempo ou até mesmo guerra.

Fazer mergulhos nesses locais além de perigos, pois, algo pode cair em um mergulhador também a o risco de mexer em algo e acabar destruindo esse material histórico. Vale lembrar que esses sítios vão verdadeiros museus submersos. Existem várias empresas especializadas em mergulhos e passeios nesses locais.

Em Búzios

O que muitas pessoas não sabiam é que em Armação dos Búzios também possui um naufrágio, esse navio está localizado na extremidade da Praia do Canto em frente a Ilha do Caboclo. A embarcação está entre 2 a 8 metros de profundidade e pertencia a frota da Companhia Brasileira de Paquetes a Vapor o acidente ocorreu no ano de 1900 por um encalhe. Segundo o site naufragiosdobrasil.com.br “O navio possui poucas partes observáveis, parte das cavernas, muitos ferros retorcidos e tudo bastante enterrado.” Infelizmente não conseguimos informações de qual material esse navio transportava.     

Primeiro acidente registrado no Brasil

O naufrágio mais antigo registrado em águas brasileira ocorreu em 1503 e de acordo com Serviço de Documentação da Marinha. A embarcação fazia parte de uma esquadra de seis naus que vinham de Portugal e afundou próximo a ilha de Fernando de Noronha. Acredita-se o condutor da embarcação não conhecia a costa brasileira e por isso o acidente deve ter ocorrido.  

E você sabia dessa história?

Búzios possui várias histórias ainda pouco conhecidas e todas as semanas vamos trazer uma diferente para vocês, nos acompanhem e descubram todos os segredos dessa cidade tão incrível que está no coração de todos nós.

Imagem

Imagem meramente ilustrativa

Fontes

G1

Naufrágios do Brasil

Super Interessante

Brasil Mergulho

El País

Deixe o seu comentário